EXAME NACIONAL PARA CERTIFICAÇÃO DE COMPETÊNCIAS DE JOVENS E ADULTOSENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO
DATA: 06 A 31 DE OUTUBRO DE 2008
Leia o Edital em: www.indaial.sc.gov.br
PROVAS 13 E 14 DE DEZEMBRO DE 2008
EXAME NACIONAL PARA CERTIFICAÇÃO DE COMPETÊNCIAS DE JOVENS E ADULTOS
odução vamos falar em depressão!
i de 1986 a 1991. Eu sempre trabalhei na roça desde criança, mas de carteira assinada só aos 34 anos. Trabalhei três meses como ajudante geral, depois passei a ajudante de salgadeira. Aprendi a fazer muito bem os salgadinhos, por isso passei a ser salgadeira profissional. Comecei a ganhar mais e trabalhar muito. Eu trabalhava 12 horas por dia nos finais de semana e até 15 horas durante a semana. Trabalhava de segunda a segunda e descansava nas terças-feiras. No final de semana, muitas vezes tinha que dobrar para dar conta das encomendas de salgadinhos. Dois anos depois comecei a sentir dores nos braços e principalmente no cotovelo direito. Meus ombros doíam muito. Eu ia ao médico e ele me dava 15 dias de atestado. Ficava em casa, melhorava, voltava ao trabalho e dias depois ficava mal outra vez. Trabalhei assim cinco anos e o que ganhei foi uma cirurgia nos dois ombros e nos dois punhos e muitas dores na coluna. Hoje tenho 56 anos e tenho dificuldade até para pentear os cabelos. Não consigo mais fazer massa de pão nem ariar minhas panelas, que eu gosto de ver brilhando, mas não tenho força para ariar. Eu me sinto quase inútil, mal dou conta dos meus afazeres domésticos, mas fazer o que? É a vida!
Tiago - Meu Dia -
quando comecei a trabalhar, tudo era tão bom! Até tinham algumas coisas más, mas enfim, passava. Esta poesia foi construída pela educanda Silvana Silva, que faz parte da turma de EJA da EBM Tancredo Neves.
Silvana baseou-se nas discussões feitas em sala de aula a respeito das temáticas: Direitos dos/as Trabalhadores/as, Saúde e Segurança do Trabalho e o Papel dos Sindicatos na defesa dos Trabalhadores/as para escrever seu texto.
Parabéns a educanda pela criatividade e aos educadores, por estimularem que Silvana mostre seu talento como escritora!

Trabalho e Direitos
Silvana Silva
Trabalho...
É incrível como essa palavra aparece sempre,
Desde que estamos, ainda, dentro de um ventre.
Uma mãe diz ao marido, ao doutor, S
em nenhum rancor ou ressentimento:
- Essa gravidez tá me dando trabalho!
- Esse parto me deu trabalho!
Realmente essa palavra sempre sai das nossas bocas,
E isso quase nos deixa loucas!
As mulheres, por exemplo, coitadas...
Sempre submissas e recatadas.
Deixando seus interesses de lado,
Pensando sempre em seus amados...
Falar só de mulheres eu não podia
Pois os homens sofrem pra ganhar o pão de cada dia;
Levantando sempre de madrugada
Com a marmita na sacola, pegando a estrada;
Quando tem marmita, ainda bem...
Muitos desses homens nem comida tem!
De sol a sol, de dia ou de noite
No carro, na máquina ou na foice
Eles estão sempre no batente.
Corajosos, felizes e contentes
Mas...um dia, dia de trabalho normal,
Um pobre homem sentiu-se mal.
Os seus colegas sempre diziam
Que trabalhar assim, não podia,
Pois trabalhava de noite e de dia.
E o trabalhador doente, na sua agonia
Deitado na terra fria.
- O que fazer?
- Não sei!
- Nesse país não tem lei!
Um doutor que vinha passando
A conversa ficou escutando
E os amigos continuaram conversando,
E a melhora do amigo ficaram esperando.
O doutor na conversa chegou:
- Prestei atenção no que você falou!
Os amigos em silêncio ficaram
E a explicação do doutor escutaram:
- Existe o sindicato e a lei trabalhista,
Para o agricultor, o mecânico ou a diarista.
- Não importa no que trabalha,
A lei demora, mas não falha.
O doente, agora sentado
Ficou ouvindo tudo calado.
Quer dizer que a lei existe? - um trabalhador ainda insiste!
Respondeu o doutor, sem demora:
- Vocês devem procurar seus direitos agora!
Os trabalhadores agradeceram,
Ficaram felizes com o que aprenderam.
Juntos o “tal sindicato” foram procurar,
Acreditando que a lei iriam encontrar.
Mas essa é outra história
Que outro dia eu vou contar
Sobre a justiça e a injustiça
Que pra vocês vou relatar.

Meu nome é João Donizete Dal Prá. Desde os 14 anos de idade trabalho em marcenaria. Comecei como ajudante e depois de algum tempo me tornei marceneiro.
Meu nome é Adenir. Comecei a trabalhar na construção civil como carpinteiro na cidade de Blumenau. Construímos casas, prédios, galpões e também reformarmos casas.
Meu nome é Adalori. Moro na rua Santa Maria n 285, Bairro João Paulo II. Meu primeiro emprego foi como babá. Eu cuidava de um menino muito lindo, o nome dele é Tiago e eu tinha 14 anos na época. Depois trabalhei como empregada doméstica alguns meses. Eu gostava de trabalhar na casa daquela família porque eu aprendi muita coisa trabalhando lá. Mais tarde, já com 17 anos, comecei a trabalhar em uma indústria. Lá eu era auxiliar de talhação. Trabalhei alguns meses neste serviço, depois fui trabalhar em um super mercado onde trabalhei 6 anos como serviços gerais. Agora não estou mais trabalhando com carteira assinada, tenho problemas de saúde e recebo auxílio doença do INSS, mas mesmo assim faço meu serviço de casa, tenho uma filha de 12 anos e sou casada há 16 anos. Esta é um pouco da minha história de trabalho dos 14 anos até agora. Quando eu era criança, morava no sítio e aprendi a trabalhar desde muito pequena. Comecei ajudando minha mãe em casa, depois fui crescendo e cada vez fui fazendo trabalhos mais pesados. Ajudava a plantar fumo, milho, mandioca, batata-doce, cana de açúcar e depois, na época da colheita, eu tinha que ajudar a colher tudo que plantamos. Também ajudava a tirar leite, a tratar as galinhas, os porcos, os cavalos e todos os outros bichos que tínhamos no sítio. Agora estou estudando na EJA para quando eu melhorar do meu problema de saúde poder trabalhar e continuar a estudar.
Meu nome é Vidomar Batista. Comecei a trabalhar em Florianópolis faz trinta anos. Lá trabalhei três anos, depois me mudei para Indaial. Aqui iniciei o trabalho de carpinteiro e pedreiro. Foi difícil no começo da profissão. Faço todo tipo de construção: fundamento, coluna, cobertura, alvenaria e vigamento.
de serviços gerais. Trabalho na Uniasselvi ajudando no transporte de caixas, livros, documentos em geral e auxiliando encanador e eletricista. Meu trabalho começa às 13h30 e termina às 17h30. Vou de bicicleta da minha casa até o meu local de trabalho. Eu gosto de estar ali.
trabalho no corte de palmito há um ano. Tínhamos que trabalhar das 4h da manhã às 16h30h, cortando palmito de onze à doze horas por dia. Foi assim que meus problemas apareceram. Inicialmente no dedo, depois ombros e joelhos. Atualmente tenho que fazer uma cirurgia na mão direita, no dedo, por ter causado uma lesão no tendão. Também sinto dores nos joelhos, por ficar horas em pé e nos ombros, pelos movimentos repetitivos. Hoje, vejo que não deveria ter me dedicado, além das minhas forças, ao serviço. Estou com problemas e meu patrão não se importa com isso. Vejo que devemos trabalhar somente o que o corpo agüenta. Que isso sirva de exemplo a todos.
e encanador. Minha rotina de trabalho começa às 7h até às 18h. É um trabalho onde sempre conheço pessoas novas, ao ar livre e fazendo atividades diferentes. É uma atividade boa mas tem seus riscos. Com a energia elétrica, qualquer descuido é fatal, mesmo com os equipamentos de proteção individual. E como encanador é preciso também muito cuidado.
A EJA Integração Indaial também esteve presente no desfile de 7 de setembro! Educandos/as, educadores/as reafirmaram através de faixas e cartazes que a EJA é um direito e deve continuar sendo garantido, pois é através dela que muitos/as cidadãos/as conseguem concluir seus estudos!